08/06/2018

Boletim Dominical 10/06/2018


A prioridade de salvar a Vida no planeta
CEBI ⁄ Bíblia ⁄ Reflexões
por Marcelo Barros*

Durante essa semana, em torno ao 05 de junho, que a ONU consagra como “dia internacional do ambiente”, no mundo inteiro, se promovem discussões e eventos sobre a urgência de um maior cuidado com a Terra e a proteção da vida no planeta.
“Cinco relatórios publicados em março pela Plataforma Intergovernamental Científico-Política sobre a Biodiversidade e os Serviços Ecossistêmicos (IPBES) confirmam: a situação atual é alarmante e exige uma resposta urgente dos governos e da sociedade civil internacional. A diminuição da água doce em todo o planeta é visível e muito grave. O aquecimento global afeta a fertilidade da terra e a própria vida marinha em todos os oceanos. Os venenos usados na agricultura estão provocando a extinção de diversas espécies de abelhas. Além disso, impedem a polinização de muitas espécies vegetais” (Cf. Revista Internazionale, n. 1249, abril 2018, p. 15).
Na década passada, a Global Food Print Network e outras entidades científicas que seguem a situação de saúde do Planeta haviam falado do Earth Overshoot Day. Esse seria o dia em que os limites de sustentabilidade da Terra seriam ultrapassados e o equilíbrio da vida no planeta, totalmente ameaçado. Infelizmente, os dados revelam que já há dez anos, exatamente no dia 23 de setembro de 2008, a Terra superou em 30% sua capacidade de reposição dos recursos necessários para as demandas humanas. No momento atual, para atender às necessidades da humanidade, precisaríamos de mais de uma Terra. Garantir ainda o que resta dessa sustentabilidade da Terra é a premissa indispensável para resolver os outros aspectos da crise: social, alimentar, energética, econômica, cultural.
Infelizmente, governos e instituições internacionais continuam insistindo no modelo capitalista depredador. A cada ano, os governos destinam somas imensas para armamentos e guerras. O Banco Mundial faz qualquer coisa para salvar bancos e multinacionais irresponsáveis que perderam dinheiro no cassino financeiro da imprevisibilidade. Já há quase dez anos, a imprensa denunciava: “Esse dinheiro do povo, dado aos ricos, “é um valor 40 vezes maior do que os recursos destinados a combater as mudanças climáticas no mundo e a pobreza” (Le Monde Diplomatique Brasil, maio de 2009, p. 3).
Para quem vive a busca espiritual, o cuidado amoroso com a Mãe Terra, com a água e com todo ser vivo fazem parte do testemunho que Deus é amor, está presente e atuante no universo. Apesar de todas as agressões e crimes cometidos contra o Planeta, ainda podemos salvá-lo. Em 2003, a UNESCO assumiu a “Carta da Terra”, como instrumento educativo e referência ética para o desenvolvimento sustentável. Participaram ativamente de sua concepção humanistas e pensadores do mundo inteiro. É preciso que a ONU assuma e ponha em prática esse documento que qualquer pessoa pode ler e comentar na internet (basta consultar: “carta da terra”). É o esboço de uma “declaração dos direitos da Terra e da vida” e todos nós precisamos defendê-los.
Na encíclica sobre o cuidado com a Terra, nossa casa comum, o Papa Francisco propõe uma aliança de toda a humanidade para cuidar mais e melhor da Terra. Ali, ele afirma que as religiões e tradições espirituais devem se unir para fortalecer essa aliança de todos pela vida. Em cada tradição espiritual, precisamos explicitar e desenvolver o mais profundamente possível uma verdadeira veneração pela Terra, pela Água e por todos os seres vivos, como sacrários ou ainda ícones vivos do Espírito Divino. Como diz uma oração que os cristãos das Igrejas mais antigas cantam em cada celebração eucarística: “Os céus e a terra estão cheios da tua glória, ou seja, da tua presença amorosa”.




01/06/2018

Boletim Dominical 03/06/2018



Carta da Juventude do Caminho
Satuba, 27 de maio de 2018.

Nos redescobrimos elo. Elo que pertence, resiste, se alimenta, cria e compartilha. A liberdade de ser e para ser. Desconstruindo-se e construindo-se como um. Um que é plural, que é humano e se constitui a partir da diversidade que se revela no colo das mães, na representatividade negra, no protagonismo feminino, na voz que é sigla, frase, grito e lugar: LGBT+. Que se revela na atitude subversiva que acolhe e emancipa os corpos, a mente e o espírito.
Somos construção que será, mas que já é. É presente, é agora, porque já somos. Somos quilombo, encontro, força e luta. Corpos inconformados que se abraçam e enxugam suas lágrimas enquanto experimentam a partilha.
Acreditamos em um Deus encarnado em cada um de nós que se mostra multiforme e frágil. Que nos saúda no rosto do outro e nos encontra a partir do encontro com nós mesmos. Que torna a divindade humana, a humanidade divina, o sagrado simples e o amor real. Agora estamos presos ao céu e o céu está livre em nós.
Saímos do quilombo fortalecidos para a vida. Humanos caminhantes trilhando o caminho aberto pelo Cristo, ainda não atravessados. Por isso seguimos sendo quem somos, amando quem amamos e fazendo a nossa parte para que todos tenham esse mesmo direito.