14/09/2019

Boletim Dominical 15/09/2019


TRISTEZA NÃO É PECADO!!!
Mateus 26:38

                Nos dias atuais, podemos afirmar, que estamos vivendo no que podemos chamar de tirania da felicidade. Todxs precisam estar e/ou demonstrar todo tempo que estão felizes, que não possuem problemas e que a vida está sorrindo/gargalhando para si. Para fazer tal constatação, basta visitar a maioria das redes sociais da grande maioria das pessoas que nos cercam.
                Ser feliz virou algo tão impositivo, que estar triste e/ou estar atravessando um momento de tristeza virou um “pecado” quase imperdoável. Olhamos de um lado para o outro e o que vemos são pessoas exalando “felicidade” e/ou sofrendo por não conseguir exalar tanta “felicidade”.
                Outra coisa interessante de se notar é a grande confusão que muitos de nós fazemos entre tristeza e depressão. Segundo o psiquiatra Jair Mari: “A tristeza é passageira, mas a depressão te habita. No transtorno, o vazio e a desesperança invadem o cotidiano”. Neste momento em nosso país, existem cerca de 11,5 milhões de brasileirxs diagnosticados com depressão. Entretanto, posso afirmar sem medo de errar que o número de pessoas tristes e/ou experimentando algum tipo de tristeza é muito maior.
                Se neste momento da sua vida você está experimentando algum tipo de tristeza. Tristeza leve, moderada e/ou intensa, busque ajuda. Não se cale, não se isole nem tampouco se desespere. Também lhe peço que não permita que ninguém lhe aponte o dedo e questione a sua fé. Sabe por quê? Pelo simples fato de que o nosso Senhor e Salvador Jesus de Nazaré nunca teve medo de esconder suas dores, lágrimas e tristeza (João 11:35 e Mateus 26:36-38).
                Tristeza não é pecado. Euforia demasiada não é sinônimo de fé inabalável e sim, de algum problema que precisa ser tratado no campo psiquiátrico. Se você está e/ou se encontra vivendo um momento de tristeza na sua vida, creia que você está se aproximando ainda mais de Deus. Tristeza é um sentimento humano importante para nos manter livres da negação das nossas limitações e de assumir que não temos controle de nada nesta vida.
                Tristeza não é pecado. Você pode chorar, ficar em silêncio por um tempo, se recolher e ficar mais reflexivo, enfim, enfrente este tempo da forma como a Divina Ruah lhe revelar melhor. Creia apenas que em todos os momentos da sua vida se lhe faltarem braços amigos e compreensivos não faltarão anjos dos céus que nunca soltarão sua mão (Lucas 22:40-43).

Do seu pastor e amigo,
Wellington Santos




07/09/2019

Boletim Dominical 08/09/2019

COM QUANTOS PAUS SE FAZ UMA CANOA?

Na simplicidade ou na quase inocência dessa pergunta podem estar escondidas duras realidades de opressão e dominação. No fundo, ela expressa um sentimento autoritário que procura estabelecer, pela força e violência, o pensamento único como verdade absoluta.  
Na singeleza da resposta, pois é apenas com um pau que se faz uma canoa, o inquiridor está tentando dizer que, naquele espaço ou naquela situação, ele e tão somente ele, poderá dar a resposta, ou quiçá, ser ele mesmo a própria resposta. Em bom português quer dizer: aqui quem manda sou eu, a palavra final é a minha e a vontade que prevalece também é a minha. Naturalmente isso é reflexo de um sentimento autoritário, violento, sem espaço para outras formas de pensar, propor, ser e agir.
O fundamentalismo também é uma expressão do autoritarismo e do sectarismo. Uma tentativa de redução da diversidade e da riqueza de suas expressões, ao sentimento de uma suposta verdade única, monocromática e monotônica. É a não aceitação do outro, a rejeição de tudo o que não cabe em nós mesmos, é o Narciso que acha feio tudo o que não é espelho.
A proposta de andar na contramão, por si mesma, já nos coloca em condições de risco. O simples fato de caminhar já é capaz de trincar os “fundamentos”. O caminhar simboliza a rejeição a tudo que é estático, ao que paralisa e imobiliza. O fundamentalista não aceita movimentos, porque movimento é vida. Nestes casos, é melhor ser pisoteado do que ser mais um na multidão.
A ABB quer estar no caminho, andar com as minorias, com os esquecidos e com os perseguidos. Quer andar na contramão de uma sociedade que, abastecida com o inflamável combustível político e religioso, lançado com fartura por uma laia de inomináveis políticos e por falsos pastores, perigosos e belicosos, agora, com claridade solar, nos mostram o pior de suas faces tiranas, ditatoriais e imperialistas. Resistiremos na força do Espírito. Lutaremos, pois outra resposta não há para a mesma pergunta que o Cristo fez aos seus discípulos quando os mesmos poderes políticos e religiosos formaram aliança para o matar: “- E vocês, também querem me abandonar?” A resposta ainda é a mesma: “- Para quem iremos nós? Só tu tens a palavra da vida.”
Vamos caminhar, resistir e vencer, porque não há mal que dure para sempre. Dias difíceis ainda virão, sofrimentos e desaparecimentos como o de Mariele Franco, mas mostraremos que a nossa canoa não é feita apenas com um pau, mas sim com uma diversidade deles. É feita com todxs os LGBTQS+, com homens e mulheres, héteros e não-héteros, com pretos assumidos e também com brancos que veem na injustiça racial uma afronta ao Criador. Com os empobrecidos e com os ricos que forem capazes de assumir a sua pobreza diante de Deus e dos homens.
A nossa canoa é feita com a igualdade de gênero. Com os portadores de qualquer deficiência, menos as éticas e as de caráter. É feita com idosos, jovens e crianças. Também com todas as representações de diferentes matrizes religiosas. Enfim, a nossa canoa é feita por todxs e com todxs e nela cabem todxs, porque “Todos juntos somos fortes, somos flecha e somos arco, todos nós no mesmo barco não há nada a temer, ao meu lado há um amigo que é preciso proteger... todos juntos somos fortes, não há nada a temer”* (*composição de Sérgio Bardotti, do conto os músicos de Bremen, dos irmãos Grimm. Adaptação de Chico Buarque)

Paulo Cézar - Presidente da ABB