PASTORAL PARA OS 43 ANOS DA IBP


Por Prª Odja Barros
IBP: Ela cresceu e se tornou uma árvore e as aves dos céus fizeram ninhos em seus ramos
Não há arvore boa que dá fruto ruim; nem arvore ruim que dá bom fruto. Cada arvore é conhecida pelo seu próprio fruto, Porque não se colhem figos de espinheiros nem uvas de ervas daminhas.  O homem/mulher sábio/sábia tira coisas boas do bom tesouro que está em seu coração e o homem/mulher mau tira coisas más do mal que está em seu coração. Porque a sua boca fala do que está cheio o coração. Lucas 6: 43-45
A minha boca fala hoje do meu coração está cheio. Estou cheia de gratidão pela amada e amável Igreja Batista do Pinheiro. Tenho sido alimentada pelos frutos dessa comunidade há vinte anos. Seus frutos doces e amargos tem me nutrido e fortalecido. Na sombra de sua folhagem sempre encontro um lugar seguro de descanso e refrigério. Na força de seu tronco profético me fortaleço para tentar ser ramo de justiça no mundo.
A sombra de uma arvore frondosa e frutífera convida a que todos e todas se reúnam e se alimentem com seus doces frutos, descansem à sua sombra. Debaixo dos galhos da IBP tenho aprendido a ser e viver comunidade. O texto citado acima diz que homem e mulher sábio/sábia tira bom tesouro do coração. A comunidade IBP é um bom tesouro. Felizes os sábios e sábias que souberem tirar dela o bom tesouro. O bom tesouro de uma autentica vivencia comunitária.
Acredito que Jesus não sonhou com Igreja. Ele sonhou e desejou comunidades do reino e quando falava de reino ele pensava em arvores. “Então Jesus perguntou: ‘Com o que se parece o Reino de Deus”? Com o que o compararei? É como um grão de mostarda que um homem semeou em sua horta. Ele cresceu e se tornou uma árvore e as aves dos céus fizeram ninhos em seus ramos’. LUCAS 13: 18-21.
A Igreja do Pinheiro para mim é uma arvore acolhedora onde as aves do céu podem vir e fazer o seu ninho.  Foi nesse ninho que cheguei há vinte anos, aqui construí o meu ninho familiar e comunitário. Aqui aprendi a ser mãe, esposa e mulher. Aqui vivi todas as grandes metamorfoses da minha vida. Mudei minhas folhagens várias vezes entre erros e acertos e vou seguindo, crescendo e aprendendo. Aprendendo a ser teóloga e ser gente. Ser pastora e ser amiga, cuidar e ser cuidada.
Debaixo dessa arvore tenho aprendido a não querer uma comunidade para mim, mas ser comunidade para outros/outras.
É Jean Vernier quem escreve sobre isto no seu livro comunidade lugar de perdão e de festa. Uma comunidade só é comunidade quando a maioria dos seus membros estiver fazendo a passagem de “uma comunidade para mim” para” eu para a comunidade”, quer dizer, é a passagem do egoísmo para o amor, da morte para ressurreição, Para que o coração faça essa passagem é necessário morrer incessantemente para suas ideias, suas suscetibilidade, seus confortos, o caminho do amor é tecido de sacrifícios. As raízes do egoísmo são profundas no nosso inconsciente pessoal e coletivo.  A IBP não é uma comunidade perfeita e nem ideal, mas tem buscado fazer essa passagem assumindo suas dores e perdas.
Acabei de ler uma frase de autor desconhecido que diz: Não use gaiola. Plante uma arvore que elas (as aves) virão! . Não, não consigo mais me imaginar em uma Igreja – gaiola. Aprendi a ser e viver igreja como ninho. O ninho é aberto e acolhedor e também deixa ir. Não seriam assim os braços do Pai? Nunca nos recebe numa gaiola, mas em  ninho de amor. Que a Igreja Batista do Pinheiro queira ser sempre assim: Árvore onde as aves dos céus podem fazer ninhos em seus ramos.
Parabéns IBP pelos 43 anos.

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