terça-feira, 12 de abril de 2016

NOTA SOBRE A DECLARAÇÃO DA DIRETORIA DA CONVENÇÃO BATISTA BRASILEIRA COM RELAÇÃO À IGREJA BATISTA DO PINHEIRO (AL)



Nós, batistas (e outros/as cristãos/ãs solidários/as) aqui abaixo-assinados, vimos a público expressar nossa consternação e reclamação ao teor da declaração da diretoria da Convenção Batista Brasileira (CBB) acerca da decisão congregacional da Igreja Batista do Pinheiro no que tange a aceitação de pessoas homoafetivas em seu rol de membros. 
A Igreja Batista do Pinheiro acaba de completar 46 anos de presença relevante na sociedade alagoana e brasileira, com extenso diálogo com diferentes organismos públicos, organizações da sociedade civil e outros grupos evangélicos e religiosos, carregando sua identidade batista para estas diferentes formas de diálogo e sendo reconhecida como comunidade atuante e promotora de um testemunho evangélico, caudatário da melhor tradição missionária batista e protestante em terras alagoanas e nordestinas, principalmente.
Como explicitado pela sua diretoria e liderança pastoral, a decisão da Igreja Batista do Pinheiro, enquanto sabidamente controversa, foi resultado de um longo processo que envolveu anos de reflexões e orações, culminando em assembleia regular. Agiu, portanto, como igreja local, na tradição batista, em um processo lento mas eficaz, com todas as prerrogativas democráticas respeitadas. Uma decisão de tal teor, tomada por uma comunidade consciente e comprometida, requer pleno respeito mesmo com discordâncias quanto a seu mérito.
Visto que a decisão da Igreja Batista do Pinheiro se refere a um tema de natureza teológica cercado de grande complexidade, merece ser tratada pela denominação com cuidado pastoral, profundidade teológica e responsabilidade com os princípios que nos norteiam. No interior do cristianismo mundial, assim como entre as variadas igrejas protestantes, e também entre os batistas, é necessário reconhecer que o tema se transformou numa questão divisiva em seus aspectos pastorais, exegéticos, hermenêuticos e eclesiológicos. No entanto, não é um processo novo de discernimento pastoral e teológico na história cristã, protestante e batista. Manter este sentido de sensibilidade histórica é o mínimo que se requer do tratamento de questões como a decisão de igrejas como a Igreja Batista do Pinheiro nos apresenta.
Cremos firmemente que o que está colocado em nosso horizonte não é um caso inconsequente, mas um posicionamento tomado por uma igreja madura a partir de longo período de reflexão e oração. Por isso, qualquer decisão que não seja a manutenção da referida igreja no rol da CBB, minará o necessário compromisso com o cuidado pastoral e a disposição à fidelidade à fé cristã no compromisso da história de tantas outras igrejas locais batistas e não batistas que estão enfrentando o mesmo tema.
Cremos que a seriedade deste assunto deve conduzir a CBB, em nosso parecer, a criar uma comissão ampla, representativa e preparada para a real amplitude da questão em seus aspectos exegéticos, hermenêuticos, pastorais e eclesiológicos, como outros corpos denominacionais ao redor do mundo têm realizado. É não deixar passar uma grande oportunidade de amadurecer em seus processos decisórios uma reflexão abrangente e essencialmente evangélica acerca dessa temática.

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