04/10/2019

Boletim Dominical 06/10/2019


HORTA COMUNITÁRIA, EXEMPLO DE CUIDADO DA CRIAÇÃO E ESPÍRITO SOLIDÁRIO EM TEMPOS DE EGOÍSMO E VIOLÊNCIA SIMBÓLICA!!!
(I João 3:18)

            No último sábado, enquanto viajava para visitar a Congregação de Zé da Rocha (Junqueiro-AL) e realizar um casamento em Arapiraca, algo aparentemente simples e potencialmente revolucionário acontecia no pequeno condomínio onde moro desde 2003 no Tabuleiro. Três moradores do condomínio, guiando um carrinho de mão recheado de hortaliças fresquinhas e sem agrotóxicos, faziam a entrega generosa e carinhosa de porta em porta da primeira colheita da horta, denominada por elas e eles que plantaram e cuidaram de comunitária. Na hora da primeira colheita, decidiram socializar com todos(as) os(as) moradoras e moradores. Eu por exemplo, lembro-me de apenas incentivar, elogiar e apoiar a iniciativa, entretanto, colocar a mão na massa eu não coloquei.
            Quando retornei de viagem e ouvi o relato através da minha filha, fui reportado a pensar que o Evangelho (Boa Nova) sonhado e propagado por Jesus de Nazaré se encontra vivo, apesar da religiosidade tóxica de alguns que confundem espiritualidade evangélica com vida centrada em templos, regras e rituais. Fiquei pensando na afirmação da Primeira Epístola de João 4:7, 8 que diz: “Aquele(a) que ama conhece a Deus. Quem não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor”. Este ato foi sem sombra de dúvidas um ato de amor à Deus. Pois, compartilhar com generosidade, alimentar um espírito solidário e comunitário é uma demonstração viva de amor e de que entendeu que a oração que Jesus de Nazaré nos ensinou como base em Mateus 6:9-15, só tem sentido pleno se o Pai/Mãe forem Nosso à exemplo do Pão (“Pai/Mãe Nosso(a) que estais nos céus...O Pão Nosso de cada dia...).
            Este final de semana nossas crianças se reuniram para conversar acerca da responsabilidade com o cuidado da criação de Deus, tendo como tema do Acampamento: Crianças na Missão, cuidam da Criação. Desde sexta-feira, elas estão debruçadas sobre o cuidado com o que nosso Deus chamou de bom (Gn. 1:31), sua bela e maravilhosa criação. Em tempos de queimadas, exploração do meio ambiente de forma irresponsável, destruição dos biomas, agrotóxicos nada Pop envenenando nossas mesas e comprometendo nossa saúde e futuro nesta terra criada e amada por Deus, indago: Quem cuida mais da criação? Os(as) que de bíblia em mãos vomitam textos sagrados em defesa disto e daquilo de forma conservadora e fundamentalista ou aqueles(as) que de forma simples e discreta, sem maiores pretensões, plantam uma horta debaixo do sol escaldante da nossa cidade para depois compartilhar com todos e todas de forma generosa? Os que plantam hortas comunitárias juntam-se aos que lutam em defesa de uma vida digna para todos(as) independentemente da cor da sua pele, condição sexual, intelectual, econômica, religiosa e etc.
            Quem sabe podemos nos espelhar no exemplo dos(as) vizinhos(as) do condomínio onde moro para de forma prática, reeditarmos o plantio de uma pequena e comunitária hortinha, que seria administrada por nossas crianças no terreno que pertence à nossa igreja? Já vivemos esta experiência, precisamos retomá-la. Amor não se mostra em palavras, e sim, em atitudes como nos afirma as escrituras em I João 3:18, que diz: “Filhinhos(as), não amemos de palavra nem de boca, mas em ação e em verdade.”

Do seu amigo e pastor,
Wellington Santos




03/10/2019

ESCOLA ECUMÊNICA DE FÉ E POLÍTICA - MÓDULO 3 📖

A Escola de Fé e Política Rosa Parks estará realizando seu III módulo, com o tema: HISTÓRIA DOS MOVIMENTOS E ORGANIZAÇÕES SOCIAIS. 

Nosso facilitador na ocasião será o Professor CÍCERO FERREIRA DE ALBUQUERQUE, da Universidade Federal de Alagoas. Cícero é graduado em história, mestre em sociologia pela Universidade Federal de Pernambuco e doutor em ciências sociais pela Universidade Federal de Campina Grande.

O investimento é de apenas R$ 20,00. As inscrições podem ser feitas no dia do evento que ocorrerá na Igreja Batista do Pinheiro localizada na rua Miguel Palmeira, 1.300, Pinheiro, Maceió/ AL. Contato pelos celulares: 9.8885-2096 e 9.9620-8218

29/09/2019

Orando com Elas


Segunda-feira, 30 de setembro, às 18h30. 
Venha e convide as comadres!
Começa com nossa sopa sororal! 🍜


27/09/2019

Boletim Dominical 29/09/2019


NORMANDIA, RESISTE!

Aos 60 anos, fiz minha primeira visita a um assentamento do MST, no Centro de Formação Paulo Freire, em Caruaru/PE. Chegamos no assentamento, meu coração batia forte pois eu estava muito ansiosa para este primeiro encontro. Queria ver, falar e dizer para todxs aquelxs pessoas que somos irmxs e que estamos do mesmo lado da luta por justiça e dignidade. Do portão de entrada até o auditório todxs nos cumprimentavam com muita cordialidade. Meus olhos percorriam cada canto daquele lugar. De repente um vento forte acariciou meu rosto, causando-me uma sensação tão boa por estar ali. Entramos no auditório, onde estava acontecendo uma plenária. Imediamente pegaram nossos nomes para apresentar nossa pequena e singela comitiva. Enquanto a reunião acontecia, gritos de ordem eram dados, causando-me mais uma vez profunda emoção. Mulheres líderes no comando da reunião, rostos sofridos de todas as idades e marcados pelo sol, de forma organizada discutiam acerca da resistência. Naquele exato momento tive que começar a desaprender e desconstruir tudo que tinha ouvido durante todo esse tempo através da mídia e das opiniões dos que, distantes da realidade, apenas reproduzem o que ouvem todos os dias sem senso crítico.
Dou glórias a Deus pela minha comunidade de Fé, pelo envolvimento dos meus pastores Wellington e Odja. Nos foi concedida a palavra para uma saudação que logo se transformou numa palavra de ânimo, força e fé proferidos pelos pastores Wellington, Odja e Vando. Fiz uma fala de saudação breve e emocionada que me aproximou ainda mais daquelxs homens e mulheres. Foi um momento enriquecedor e marcante para minha vida e formação. Em seguida, fomos conhecer a horta comunitária em formato de mandala, que em meio a tantas belezas ainda era adornada com inúmeros girassóis, tornando aquele lugar ainda mais belo e especial. Seguimos para o almoço. Mais um momento especial e marcante. A quantidade de pessoas me assombrou, era tanta gente que nossos encontros, viagens missionárias e acampamentos, ficavam pequenos diante daquela multidão de trabalhadores e trabalhadoras acampadas naquele lugar para resistir à violência da tentativa do despejo após 20 anos de construção de sonhos.  Novamente a organização chamou muito a minha atenção. Todxs comeram igualmente, cada um com suas singelas vasilhas, se alimentaram, lavando-as em seguida, deixando todo lugar rapidamente limpo.
Meu Deus, como ouvi tantos absurdos durante este tempo a respeito do MST. Conhecendo Helena, assentada do MST, lutando como eu para vencer um câncer. Senti que preciso não só desconstruir falsos conceitos acerca do MST como também me unir à luta por uma reforma agrária séria e profunda em nosso país. Quando chegou a hora de voltar, queria ficar mais um tempo, decidindo no meu coração que voltarei, pois, preciso desaprender para aprender com meus irmxs do MST a compartilhar tudo como vi naquele lugar. Meu coração está muito grato à Ruah que soprou esse vento de amor e aprendizado na minha vida. Saí refletindo depois de algumas horas naquele acampamento se de fato nós sabemos mesmo como viver em comunidade. Esta viagem de solidariedade ao Centro de Formação Paulo Freire acabou sendo um grande presente para minha vida.
Quero concluir com as palavras da pastora Odja ao falar na plenária, citando Margarida Alves: "Medo nós tem, mas não usa". Que saiamos da nossa zona de conforto, ampliemos nossa visão e nos aproximemos mais daquelxs que lutam por dignidade, afim de construir nosso próprio conceito acerca desta luta. Hoje, me uno aquelxs trabalhadorxs para dizer bem alto: Normandia, resiste!

Missionária Sandra Helena